domingo, 11 de julho de 2010

A Formação do Povo Sergipano, sob a ótica de Prado Sampaio.


"Sergipe – Artístico, literário e científico"


•Aspectos etno-psicológicos do povo sergipano


- Características de uma sociedade:

Prado Sampaio, em 1928, discute os processos que levaram o povo sergipano a apresentar os aspectos etno-psicológicos visíveis na época.

Para começar, o autor mostra que a sociedade não pode mais ser vista como uma abstração, mas deve ser estudada como uma confederação de associações, que são os órgãos reais da sociabilidade – território, língua e tradições comuns. Logo a seguir, ele mostra como a evolução de uma sociedade se dá de fora para dentro. Aspectos externos à sociedade, no caso a ciência, “força” a modificação e a evolução da sociedade.

A partir do momento em que o homem se fixa a um território, no caso o Brasil, e mais especificamente, Sergipe, “(...) emergem naturalmente questões de ordem fisiológica, psicológica e histórica, e surgem dia a dia ao nível de ciência contemporânea, a estruturarem-se, o solo, a língua e as tradições comuns como coeficientes do conjunto das manifestações intelectuais, volitivas, artísticas e sociais de determinada associação (...)” (Sampaio, pg. 6). Logo, um povo seria o produto das várias conjecturas acima mencionadas.

- Unidade e identidade nacional através da língua:

Prado Sampaio, a seguir, comenta que mesmo sendo o Brasil um país gigante, nunca depois que surgiu como nação independente, apresentou problemas étnicos. Pelo contrário, mostrou-se coeso como nação, e a prova disso é sua unicidade lingüística, como ele cita: “E de norte a sul, desde as cidades cosmopolitas do vasto litoral até as mínimas povoações obscuras de certos desvãos do oeste, a língua é sempre a mesma (...)” (Sampaio, pg. 7).

- Brasileiro enquanto tipo antropológico:

Por outro lado, há quem defenda que o brasileiro não existe como tipo antropológico definido, já que não há como defini-lo numa só raça. As raças que deram origem à nossa nação – índio, branco e negro - de acordo com as palavras do autor “(...) não se resumiram nem se unificaram: antes se desdobraram (...)” (Sampaio, pg. 8).

Porém, para Sampaio, a presença de tantas etnias diferentes, a falta de regularidade intensiva na miscigenação, e o aumento de imigrantes foram entraves à formação etno-psicológica do povo brasileiro. Logo, seria incumbência da educação a formação da unidade etno-psicológica do povo brasileiro.

Sendo o Brasil um país de tantas etnias, é fácil ver a falta de comunidade de nossas tradições. Mesmo sendo um povo de uma língua só, não existe a união das tradições.

- Fenômenos literários:

Para Sampaio, os fenômenos literários devem ser estudados em relação às leis da hereditariedade e da adaptação. Ou seja, a literatura enquanto manifestação do pensamento reflete a evolução deste através da ciência; e o trabalho do crítico literário é avaliar se a evolução da literatura se dá em conformidade com a evolução do pensamento da nação.



•Gênese e Evolução



- A Independência do Brasil:

Um fato que marcou o país não só histórico-politicamente em antes e pós independência, mas que também fez eclodir pela primeira vez a consciência nacional em todos os aspectos, como cita, Prado : “(...) é, partindo dele, quaisquer que tenham sido as aspirações anteriormente afagadas pelo espírito brasileiro, através de seu largo percurso de formação étnica, que podemos descortinar a existência de naturezas privilegiadas a serviço de largos ideais na esfera civil, política e filosófica, e começa a derivar todo esse amálgama de idéias e concepções em que a nossa vida espiritual se tem manifestado e vai levando os humos da civilização a todos os ângulos do país.” (Sampaio, pg. 27)

- Sergipe: Os fatores geográfico e histórico:

Prado Sampaio afirma que apesar de seu pequeno tamanho, “(...) Sergipe cedo revelou-se uma das regiões mais povoadas do vasto território pátrio.” (Sampaio, pg. 28). E, justamente, graças a causas geográficas e circunstanciais históricas, sempre foi palco de movimentada vida política e espiritual.

O autor então elenca um apanhado de fatos históricos sergipanos desde a gênese do território, como: a corrente exploradora de minas de Belchior Dias em 1590; a invasão holandesa e as lutas de reconquista; a revolta contra as fortificações de Nassau; o domínio da Bahia sobre a capitania de Sergipe Del Rey; e por fim, a independência política de Sergipe em 1823, tornando-se província do império.

Voltando mais na frente a falar da geografia sergipana, Prado menciona que devido ao solo fértil sergipano, aqui se cultivou por algum tempo produtos agrícolas que contribuíram para a riqueza pública do país; daí podemos inferir que ele provavelmente refere-se ao surto açucareiro (no vale do Cotinguiba) e algodoeiro (no agreste sergipano) que impulsionou a economia de exportação no estado.

Não deixa de notar, por conseguinte, “(...) o prematuro e feliz aparecimento de apreciáveis centros de cultura, tais como: São Cristóvão, Itabaiana e Lagarto; em seguida, Estância e Laranjeiras; e, mais tarde, Maruim e Aracaju.” (Sampaio, pg. 29)


Michel de Mendonça Rezende



Referência:


SAMPAIO, Prado. Sergipe artístico, literário e científico. Aracaju : Imprensa Oficial, 1928.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Engenhos do Cotinguiba - Engenho Pedras



Numa viagem organizada pelo professor, Antônio Lindvaldo Souza, no dia 19 de junho de 2010, visando conhecer um pouco mais sobre os Engenhos de açúcar do vale do Cotinguiba, visitamos um local que me chamou muita atenção: O Engenho Pedras.

A viagem foi planejada para visitarmos dois locais (duas etapas) - a casa de D. Baby e as ruínas do engenho Pedras - contou com um total de 30 pessoas, entre alunos, professor e motorista. O horário de saída foi aproximadamente 08h10min e o local marcado foi a Universidade Federal de Sergipe. O término da viagem e a chegada a UFS aconteceram por volta das 12h40min.

A casa de D. Baby Leite (1ª etapa)

Saindo da UFS fomos em direção a casa de D. Baby, uma descendente dos senhores de engenho sergipanos. Chegamos às 08h35min, e fomos recebidos com bastante hospitalidade. Ela conserva e nos narra a memória de seus antepassados, os Gonçalo Rollemberg Leite, que além de produtores de açúcar ocuparam diversos cargos públicos e políticos em Sergipe. Ouvimos atentamente a narração e tiramos muitas fotos, pois há por toda a casa objetos, móveis, quadros e fotos dos antigos engenhos e seus ocupantes, constituindo riquíssimo acervo de fontes históricas.

Após café da manhã oferecido por nossa hospitaleira anfitriã, saímos de sua casa em direção às ruínas do engenho Pedras.

O Engenho Pedras (2ª etapa)

Aqui se encontra a parte principal da viagem, onde foram apresentados os seminários e onde pudemos ver as reminiscências do que fora um local de engenho açucareiro.

Saindo da casa de D. Baby, atravessamos o município de Maruim e uma vasta plantação de cana-de-açúcar para então chegar ao engenho Pedras.

Em pouco tempo fizemos o reconhecimento prévio do local, cuja estrutura típica de engenho – casa, capela, senzala – ainda permanece, embora a grande e opulenta casa de engenho esteja em desuso e seja apenas uma sombra do que fora no passado.

Depois da apresentação dos seminários, nós podemos conhecer um pouco mais sobre o Sergipe província e descobrir o quão importante socio e economicamente fora O Engenho Pedras para a história do nosso Estado durante o século XIX.

Conclusão

Essa viagem ampliou nosso conhecimento sobre os engenhos sergipanos com o pragmatismo de uma viagem e a troca de experiências com os colegas e professor. Pudemos, dentre outras coisas, inferir sobre a mentalidade reminiscente da época dos engenhos na D. Baby Leite. Pudemos ver as ruínas da casa de engenho Pedras e toda sua estrutura física e hierárquica, seus moradores (ainda presentes no local), e sua atmosfera que nos levou a imaginar como o fora na época do esplendor de seu funcionamento.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Locomotiva do Tempo!


A Locomotiva do Tempo dá início a sua primeira jornada.

Aqui nesse blog serão abordados assuntos com as mais variadas temáticas, mas, sobretudo, história e historiografia.

O título do blog é uma clara alusão à máquina do tempo usada no 3º filme da trilogia, De volta pro futuro, onde o Dr. Emmett Brown (Cristopher Lloyd), que se encontra no Velho Oeste do século XIX, adapta uma velha locomotiva para retornar ao seu tempo, a década de 1980.

No filme todas as aventuras no tempo são divertidas, inusitadas, cheias de perigos e aventuras. Tentarei fazer o mesmo, quando me aventurar pelo passado.